Administração Japonesa PDF Imprimir E-mail
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Administração
Escrito por Milena Queiroz Gonçalves Santos   
Ter, 03 de Fevereiro de 2009 13:36

Administração Japonesa
 
 
Os “Keiretsu”
 
Þ Após a derrota na Segunda Guerra Mundial, encontramos um povo decidido a apagar as lembranças do período anterior e uma nação em busca de prosperidade. Uma nova visão de poder se instala: não mais expansão através do poderio militar, mas através do poder econômico.
 
Þ Apesar dos rigores da intervenção, particularmente nos aspectos econômicos, o Japão acaba se beneficiando da guerra fria entre EUA e a ex-URSS. A fim de manter um forte aliado no Oriente, algumas exigências da intervenção americana são afrouxadas, permitindo a ascensão dos keiretsu (trustes industriais japoneses, que nos EUA não seriam permitidos pela legislação).
 
Þ Este período pós-guerra caracteriza-se por uma crise generalizada, que cede com a consolidação do que se considera os três pilares da recuperação do país em pouco mais de duas décadas: um partido político forte consolidado no poder, paz trabalhista e unificação do povo. Some-se a isso o compromisso do governo com a educação, além da valorização cultural da instrução; uma alta taxa de poupança interna; a ampla utilização dos serviços de consultoria para o desenvolvimento empresarial; a compra de tecnologia e a manutenção da essência de valores culturais seculares, apesar do processo de ocidentalização do estilo de vida ocorrido a partir do início da restauração.
 
Þ O sistema de produção japonês, tal como é estruturado atualmente, surgiu nos vinte e cinco anos seguintes à Segunda Guerra Mundial, na Toyota Motor Co. Seu maior idealizador foi o engenheiro Taiichi Ohno. Daí decorrem as duas denominações do método: Sistema Toyota de Produção ou Ohnoísmo.
 
Þ São características básicas do Ohnoísmo:
·     Just-in-Time - sincronização do fluxo de produção, dos fornecedores aos clientes.
 
·     Kanban - sistema de informação visual, que aciona e controla a produção.
 
·     Muda - busca da eliminação total de qualquer tipo de desperdício.
 
·     Kaizen - busca do melhoramento contínuo em todos os aspectos, portanto se refletindo na produtividade e na qualidade, sendo os círculos de controle da qualidade apenas um dos seus aspectos.
Þ Características da administração Japonesa
·     Administração participativa - A administração japonesa se baseia na forma participativa de gestão, envolvendo os aspectos citados no capítulo anterior: participação dos funcionários no processo decisório, negociação de metas, trabalho em grupo, controle exercido através de liderança, comunicação bilateral, participação nos resultados.
 
·     Prevalência do Planejamento Estratégico - A falta de planejamento desperdiça mão-de-obra, recursos materiais e tempo, elevando os custos de produção, gerando perdas de mercado e desemprego. Através do estabelecimento de um planejamento estratégico a empresa ganha flexibilidade, utilizando seus pontos fortes para atender às necessidades de seus clientes e conquistar os clientes da concorrência.
 
·     Visão Sistêmica - A empresa é um sistema, pressupondo o conhecimento das inter-relações de seus diversos componentes. O trabalhador tem consciência de que se a empresa alcançar lucros maiores, ele terá benefícios diretos (melhorando seu nível de vida) e indiretos (participando dos resultados).
 
·     Supremacia do Coletivo - O coletivo prevalece sobre o individual. O ser humano, visto como o bem mais valioso das organizações, deve ser estimulado a direcionar seu trabalho para as metas compartilhadas da empresa, preenchendo suas necessidades humanas e se auto-realizando através do trabalho. Satisfação e responsabilidades também passam a ser valores coletivos.
 
·     Busca da Qualidade Total - A Qualidade Total é assegurada pelo Controle de Qualidade Total - CQT (Total Quality Control), baseado em um sistema de métodos estatísticos, centralizado no melhoramento do desempenho administrativo. Seus resultados são garantia da qualidade, redução de custos, cumprimento dos programas de entrega, desenvolvimento de novos produtos e administração do fornecedor. A forma mais usual de se por em prática o CQT é através dos Círculos de Controle de Qualidade, grupos pequenos, que executam voluntariamente as atividades de controle de qualidade.
 
·     Produtividade - O aumento da produtividade é um dos objetivos de qualquer organização. A administração japonesa propõe que, para atingi-lo, seja adotada uma visão cooperativa dos funcionários, incentivando o envolvimento de todos na consecução das metas da empresa. Apesar de calcar sua filosofia nos valores de realização pessoal dos funcionários, a empresa japonesa reconhece que o incentivo monetário é uma poderosa ferramenta na busca do comprometimento de seus membros com os objetivos empresariais.
 
·     Flexibilidade - Para responder rapidamente às flutuações de mercado, a flexibilidade é refletida em vários aspectos: racionalização dos espaço, equipamentos de utilidade geral e versáteis, lay out celular, nivelamento e seqüenciamento da produção em pequenos lotes, redução de estoques, quadro de trabalhadores qualificados e flexíveis.
 
·     Recursos Humanos - A ênfase é no trabalho em grupo, na cooperação, no aproveitamento da potencialidade humana. Nas grandes empresas existe estabilidade no emprego, distribuição de bônus e outros benefícios. A ascensão na carreira é lenta. O treinamento é intenso e a estrutura de cargos é estremamente vaga.
 
·     Tecnologia e Padronização - Busca-se a harmonia entre o homem, a máquina e o processo. O trabalho padronizado é tido como fundamental para garantir um fluxo contínuo de produção. Primeiro ocorre a racionalização do processo; depois, se conveniente, a automação.
 
·     Manutenção - Os operadores são responsáveis pela manutenção básica, dispondo de enorme autonomia para interromper um processo errado. A manutenção preventiva também é privilegiada.
 
·     Limpeza e Arrumação - São responsabilidades de todos, visando a manutenção do ambiente e a facilitação da administração dos recursos.
 
·     Relação com Fornecedores e Distribuidores - A subcontratação externa, prática antiga no Japão, mantém-se e é reforçada pela formação dos Keiretsu. Com o desenvolvimento no pós-guerra, ela evolui para uma relação de apoio técnico e financeiro, cooperação e confiança.
 
·     Cultura Organizacional - Procura-se estabelecer um clima de confiança e responsabilidade, baseado no respeito à hierarquia, na participação das pessoas no envolvimento da tarefa, nas decisões consensuais e na harmonia das relações.
 
 
Þ O sistema de produção japonês não é um sistema perfeito, como alguns de seus defensores querem fazer crer. Dois pontos frágeis são bastante visíveis: depende da cooperação irrestrita das pessoas e é um sistema praticamente sem folgas. Sendo assim, qualquer erro gera graves repercussões em todo o processo. Ele depende basicamente das pessoas, da sua competência, exigindo portanto qualificação, treinamento e reciclagem constantes.
 
 
Þ A busca de consenso e o emprego vitalício, por exemplo, podem favorecer a burocracia e a morosidade no processo decisório. A estabilidade no emprego implica no rigoroso planejamento das necessidades de pessoal, seu plano de carreira e critérios de avaliação, mas depende principalmente da relativa estabilidade do faturamento da empresa, que é cada vez mais influenciado pelas tendências e preferências de um mercado globalizado.
 
Þ O crescimento excessivo do números de produtos, a diminuição do seu ciclo de vida, o desenvolvimento de um consumismo ambientalmente irresponsável e a concorrência predatória também podem ser ressaltados como pontos vulneráveis do modelo.
 
Þ William E. Deming - Pioneiro no estudo da administração japonesa, e teve ativa participação na reconstrução do Japão, no início do pós-guerra.
 
Þ Preconizando um melhor desempenho de processos e um aprimoramento contínuo da qualidade dos produtos, Deming relacionou quatorze passos para que a organização logre êxito. São elas:
 
1.  Aprimorar continuamente o produto e o serviço, desenvolvendo planos e métodos para problemas presentes e futuros.
2.  Adotar a qualidade como filosofia.
3.  Acabar com a independência da inspeção em massa.
4.  Não negociar apenas com base no preço.
5.  Melhorar constantemente o sistema de produção e serviço.
6.  Instituir treinamento e retreinamento.
7.  Instituir a liderança.
8.  Afastar o medo.
9.  Eliminar as barreiras entre as áreas de apoio, promovendo uma integração horizontal entre os departamentos.
10. Eliminar slogans e metas que provoquem frustrações e ressentimentos.
11. Substituir cotas numéricas por definição de qualidade.
12. Remover as barreiras ao orgulho da execução.
13. Instituir um sólido programa de educação e retreinamento.
14. Agir no sentido de concretizar as transformações.
 
 
Þ Alvin Tofler afirma que a decadência do poder norte-americano é resultado da diluição das informações. Como contra-partida, o Japão consegue cada vez mais poder, através da informação, do conhecimento e da tecnologia. Tofler faz uma analogia com um ritual japonês, segundo o qual as realizações são conseguidas através de uma espada, de uma jóia e de um espelho.
 
Þ Na tríade ® espada (arma), jóia (dinheiro) e espelho (mente), mente e dinheiro são símbolos do poder empresarial japonês: “uma arma pode lhe conseguir dinheiro ou pode arrancar uma informação secreta dos lábios de uma vítima; o dinheiro pode lhe comprar informações ou uma arma; porém a informação pode ser usada para aumentar o dinheiro de que você dispõe ou para multiplicar a força sob seu comando”. Do conhecimento, portanto advêm a força e a riqueza japonesas.