Movimento Curvilíneo e Caracteríscas PDF Imprimir E-mail
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Ensino Médio - Física
Escrito por Geidson da Silva Neves   
Sex, 02 de Janeiro de 2009 19:06
 
MOVIMENTO CURVILÍNEO E CARACTERÍSTICAS.
 
 
O movimento curvilíneo é identificado como o verdadeiro movimento de uma partícula, visto que as restrições unidimensionais não mais são evidenciadas. O movimento não é mais vinculado. Em geral as grandezas físicas envolvidas terão suas características plenas : velocidade, aceleração e força.
Igualmente surge a possibilidade de termos o movimento curvilíneo como sendo a somatória de mais de um tipo de movimento unidimensional. Geralmente na Natureza, o movimento de uma partícula será descrito por uma trajetória parabólica, como é característica do movimento curvilíneo sob ação da força gravitacional terrestre, e aqueles movimentos descrevendo trajetórias circulares estando sujeitos à ação da força centrípeta, que não é uma força externa, no sentido convencional, mas é uma característica do movimento curvilíneo.
 
       Movimento Plano
 
Classicamente o movimento plano é descrito pela movimentação de uma partícula lançada com velocidade inicial V0, com inclinação em relação à horizontal. Semelhante descrição se aplica quando o lançamento é horizontal.
A movimentação da partícula se efetua em um plano formado pela direção do vetor velocidade V e pela direção da ação gravitacional terrestre. Portanto no movimento plano, tem-se a partícula descrevendo uma trajetória em um plano vertical. Suponhamos uma partícula de massa m lançada horizontalmente com velocidade V, a partir de uma altura H. Como nenhuma força horizontal age sobre a partícula ( Por quê ??? ), o movimento desta seria ao longo da linha tracejada. Devido a ação gravitacional, ao longo da vertical, perpendicular ao eixo horizontal X, a partícula tem a sua trajetória retilínea desviada para uma trajetória curva. Do ponto de vista newtoniano, os tempos ao longo dos eixos vertical e horizontal, são os mesmos, ou seja, dois observadores ao longo destes eixos, medem o mesmo tempo t
Visto que inicialmente a velocidade está ao longo do eixo horizontal, sem qualquer ação externa, e ao longo do eixo vertical é nula, podemos considerar o movimento como a composição de dois movimentos : um ao longo do eixo horizontal, uniforme; o outro ao longo do eixo vertical sob ação gravitacional, uniformemente acelerado. . Portanto o movimento será no plano definido pelos vetores velocidade V e aceleração g. Podemos escrever as equações do movimento da partícula :
 
x : x = Vx. tq .( 1 )
 
onde tq é o tempo de queda, o tempo de movimento da partícula até interceptar o solo no plano horizontal.
 
y : y = H - (g/2). tq2 .( 2 )
Eliminando o tempo de queda entre as equações ( 1 ) e ( 2 ), obtém-se :
 
y = H - ( g/2V2 ).x2 .( 3 )
 
A equação é a equação da trajetória da partícula, independente do tempo, relaciona apenas as coordenadas espaciais x e y. A equação é do segundo grau em x, indicando uma trajetória parabólica. Conclui-se que sob ação gravitacional uma partícula lançada horizontalmente, ( ou com certa inclinação com respeito a horizontal ), terá sua trajetória parabólica. O movimento de qualquer partícula sob ação gravitacional na superfície terrestre sempre será parabólica, excetuando-se o lançamento vertical. Na equação ( 2 ), determinamos o tempo de queda tq, quando y = 0. Resultando que :
 
tq = (2H/g)1/2 .( 4 )
 A distância horizontal percorrida no tempo de queda tq, chamada alcance A, é dada por :
 
A = V. (H/2g)1/2 .( 5 ).
 
Verificar que quando o lançamento da partícula com velocidade V, faz um ângulo com a horizontal, podemos raciocinar da mesma maneira. Determinar o tempo de queda tq, o alcance máximo A, ao longo da horizontal, e a altura máxima Hm, atingida quando a velocidade ao longo da vertical se torna nula ( Por quê ??? ).
Movimento Circular Uniforme
 
A característica do movimento circular uniforme é que a trajetória da partícula é circular, e a velocidade é constante em módulo, mas não em direção. Daí, o surgimento de uma força presente no movimento : a força centrípeta. A partir da figura acima, para dois pontos P e P’, simétricos com respeito ao eixo vertical y, correspondentes aos instantes t e t’ de movimento da partícula, podemos analisar como segue.
 
Ao longo do eixo x, a aceleração média é dada por :
 
ax =[Vx - Vx]/t = 0 ao longo da direção x não há aceleração.
 
Ao longo do eixo y, a aceleração média é dada por :
 
ay = [V'y - Vy]/t = -2.v.sen/t
 
No movimento circular, sendo pequeno, podemos determinar t = 2Rq/v. Então :
 
ay = - (v2/R).(sen/)
 A aceleração resultante será determinada no limite em que sen/  1. Portanto teremos que :
 
a = - v2/R
 
Observamos que é uma aceleração voltada para o centro do movimento, daí o sinal ( - ), sendo chamada aceleração centrípeta. Em decorrência da segunda lei de Newton, há igualmente uma força correspondente a esta aceleração, daí a força centrípeta existente no movimento circular uniforme. Não como uma força externa, mas como uma conseqüência do movimento. Em módulo a velocidade é constante, mas em direção o vetor velocidade muda continuamente, resultando numa aceleração associada com a mudança de direção.
 
NEWTON, ISAAC ( 1642 - 1727 )
 
Isaac Newton nasceu em Woolsthorpe, Lincolnshire, Inglaterra, no dia 04 de janeiro de 1643, o que corresponde no calendário gregoriano, usado hoje em dia, ao 25 de dezembro de 1642, que por sinal foi o ano da morte do grande Galileu Galilei.

Seu pai, um pequeno agricultor, também chamado Isaac Newton, faleceu dois meses antes de Newton nascer. Sua mãe, Hannah Ayscough Newton, casou-se novamente três anos depois do nascimento de Newton, deixando-o aos cuidados de sua Avó, o que deixou amargas lembranças para ele.
Aos doze anos, ele entrou para a escola pública, não apresentando muito interesse pelo ensino formal escolar, e em junho de 1661 vai para o Trinity College de Cambridge. É aqui, que Newton entra em contato pessoal ou através de obras, com as maiores mentes que a "humanidade havia produzido", tais como - Aristóteles, Platão, Copérnico, Kepler, Galileu, Descartes, Pierre Gassendi, Robert Boyle, etc., produzindo um tamanho turbilhão em sua mente, que inevitavelmente todo o seu potencial, passou da "potência" para o "ato".
Newton, é considerado uma das mentes mais prolíficas e brilhantes produzidas no ocidente. Terminou seus estudos de graduação em Cambridge, na primavera de 1665, já com um enorme conhecimento e interesse pelas matemáticas, física, etc.; e nesse mesmo ano, voltou à sua terra natal, para fugir de uma grave epidemia de peste bubônica.
Em Woolsthorpe, Newton teve a paz e o tempo de que precisava, para deixar fluir a sua mente, dirigindo-a para os campos que mais lhe interessavam naquele momento - a matemática e a física. Como produto dessa dedicação, durante os dois anos que ele passou em Woolsthorpe, desenvolveu o teorema do binômio, o método matemático das fluxões (a diferenciação de uma função é a operação inversa da integração), a teoria da composição da luz, e parte da teoria da gravitação universal. Podemos tentar vislumbrar esse período de grande criatividade, lendo o que Newton escreveu sobre ele:
"        No início de 1665 encontrei um método para a aproximação de séries e a regra para expressar qualquer potência de qualquer binômio nos termos dessas séries. No mesmo ano, em maio, descobri o método de tangentes de Gregory e Slusius e, em novembro o método direto de fluxões (cálculo diferencial), e no ano seguinte, em janeiro, a teoria das cores e, em maio, o método inverso de fluxões (cálculo integral). No mesmo ano comecei a pensar na força da gravidade estendendo-se até a órbita da Lua e, [...] usando a regra de Kepler para os períodos dos planetas (proporcional à distância do centro de suas órbitas elevada à potência de 3/2), deduzi que as forças que mantêm os planetas em órbitas têm de ser inversamente proporcionais ao quadrado da distância entre os planetas e o centro de suas órbitas; e daí comparei a força necessária para manter a Lua em sua órbita com a força da gravidade na superfície da Terra e descobri que elas concordam de modo bastante satisfatório. Tudo isso ocorreu durante os "anos da peste" 1665 - 1666. Pois nesses dias eu estava no auge da minha inventividade e me preocupava com matemática e filosofia mais do que em qualquer período desde então".
Ainda durante sua permanência em woolsthorpe, Newton trabalhou na decomposição da luz, descobrindo e formulando teorias inéditas, que viriam a formar as bases da "física ótica". Ele incidiu um feixe de luz solar sobre um prisma e percebeu que a mesma era decomposta em sete outras cores, como já antes era conhecido, mas explicado como sendo resultado da interação da "luz branca" com o material com o qual ela estava interagindo, portando não era uma característica da "luz branca". Newton porém, fez com que as luzes refratadas incidissem separadamente sobre outro prisma e observou que elas não se decompunham novamente, como era esperado pelo conhecimento da época; também ele fez com que as luzes refratadas, incidissem sobre um conjunto de prismas colocados em posições pré-determinadas, e se recombinassem formando novamente a "luz branca", mostrando definitivamente que ela não era pura, mas sim composta pelas outras cores. Como conseqüência dessas descobertas, Newton inventou um novo tipo de telescópio, o de "reflexão", que era muito mais eficiente do que o de "refração".

Conta a antiga estória, que foi a partir da observação de uma maçã caindo, é que Newton teve a intuição de que - o mesmo tipo de força que atuava na maçã, puxando-a para a terra, também atuava na Lua, puxando-a para a Terra. Daí, para formular a teoria da gravitação universal, foi só questão de tempo.
Teoria essa, que ao colocar questões do Céu e da Terra, sob uma mesma formulação filosófica ( lei física), derrubava mais uma das postulações aristotélicas, ou seja - as naturezas do Céu e da Terra, eram diferentes entre si e regidas por leis diferentes.
Newton volta para Cambridge, onde assume em outubro de 1669, aos 26 anos, a cadeira de matemática, que ficara vaga com a saída do professor Isaac Barrow, seu amigo pessoal e orientador. Em 1672, ele foi eleito membro da Real Academia Britânica de Ciências. Em 1687, foi publicada a sua mais importante obra científica, que viria a influenciar as mudanças na concepção da visão científica futura. "Philosophiae naturalis principia mathematica" (Princípios matemáticos da filosofia natural), englobava o ápice do conhecimento sobre astronomia, ótica, mecânica e o cálculo das fluxões.
As três leis de Kepler sobre órbitas planetárias e as de Galileu sobre corpos em queda livre, foram usadas na síntese da gravitação universal. Foram enunciadas também as três leis da mecânica:
1)-
"Todo corpo permanece em seu estado de repouso, ou de movimento uniforme em linha reta, a menos que seja obrigado a mudar seu estado por forças impressas nele"
2)-
"A mudança do movimento é proporcional à força motriz impressa e se faz segundo a linha reta pela qual se imprime essa força"
3)-
"A uma ação sempre se opõe uma reação igual, ou seja, as ações de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e se dirigem a partes contrárias"
Outra questão profundamente filosófica que Newton assumiu, foi relativa ao "espaço e tempo".
Ele definiu e usou o conceito de espaço absoluto e relativo, como enunciado:
"        O espaço absoluto permanece constantemente igual e imóvel, em virtude de sua natureza, e sem relação alguma com nenhum objeto exterior; o espaço relativo, ao contrário, é uma medida ou uma parte móvel do primeiro, que nossos sentidos assinalam graças à sua situação em relação a outros corpos e que, geralmente, se confunde com o próprio espaço imóvel, por erro".

E o de tempo absoluto, como se segue:
"        O tempo absoluto, verdadeiro e matemático, por si mesmo e por sua própria natureza, flui uniformemente sem relação com nada externo; por isso mesmo é chamado duração".
Estes conceitos irão ser reelaborados por Albert Einstein, quando da formulação de sua "Teoria da Relatividade".
As ferramentas matemáticas elaboradas por Newton nos "princípios" foram imprescindíveis para os cálculos necessários na elaboração de suas teorias.
Entre o muito que ainda poderia ser falado sobre Newton, destaca-se aqui o fato de sua teoria ter tornado o "Universo", uma entidade eminentemente mecânica, podendo ser expresso por leis físicas "exatas", o que veio provocar profundas críticas das mentes mais conservadoras, dizendo que seu "Universo mecânico", não precisava da existência de Deus, ao que ele respondeu:
"        O fato de estar o universo organizado de acordo com leis tão harmoniosas....tem de pressupor a existência de uma Sabedoria Divina, a mão de um Divino Criador...Não posso formular nenhuma hipótese sobre Ele. Sou um cientista e não especulo sobre matéria teológica. Não me ocupo de Deus, mas unicamente de suas leis verificáveis".